Representação política e eleições no Brasil

percursos, entraves e perspectivas na produção recente

Autores

Palavras-chave:

partidos políticos, representação política, eleições, competição política, regimes democráticos

Resumo

O artigo apresenta uma revisão da produção sobre os partidos e a competição eleitoral na atual experiência democrática brasileira, apontando os desenvolvimentos teóricos que sustentaram sua evolução. Desde a década de 1980 até meados da primeira década do século XXI, a preocupação com o enraizamento dos partidos políticos em nossa sociedade fun-damentou grande parte dos estudos, que constataram deficiências preocupantes no funcionamento de nossos partidos e de como eles se vinculavam com os eleitores. Recentemente, constata-se importante mudança no debate, com a presença de estudos que investigaram as estratégias dos atores políticos na competição eleitoral. Trata-se de mudança importante nos estudos empíricos que proporcionou um afastamento de pretensões normativas mais amplas em rela-ção ao funcionamento de nossa democracia.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ABRANCHES, S. Polarização radicalizada e ruptura eleitoral. In: ABRANCHES, S. et al. Democracia em risco? 22 ensaios sobre o Brasil hoje. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 11-34.

AMARAL, O. E. do. As transformações na organização interna do Partido dos Trabalhadores entre 1995 e 2009. São Paulo: Alameda, 2013.

AMES, B. Os entraves da democracia no Brasil. Tradução de Vera Pereira. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2003.

ARAÚJO, C. Partidos políticos e gênero: mediações nas rotas de ingresso das mulheres na representação política. Revista de Sociologia e Política, v. 24, p. 193-215, 2005. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-44782005000100013

AVELINO, G.; BIDERMAN, C.; BARONE, L. S. Articulações intrapartidárias e desempenho eleitoral no Brasil. Dados, v. 55, n. 4, p. 987-1013, 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52582012000400005

AVELINO, G.; BIDERMAN, C.; SILVA, G. P. A Concentração Eleitoral nas Eleições Paulistas: Medidas e Aplicações. Dados, v. 54, n. 2, p. 319-347, 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52582011000200004

AVELINO, G.; BIDERMAN, C.; SILVA, G. P. A Concentração Eleitoral no Brasil (1994-2014). Dados, v. 59, n. 4, p. 1091-1125, 2016. http://dx.doi.org/10.1590/001152582016108

BOLOGNESI, B. A seleção de candidaturas no DEM, PMDB, PSDB e PT nas eleições legislativas federais brasileiras de 2010: percepções dos candidatos sobre a formação das listas. Revista de Sociologia e Política, v. 21, n. 46, p. 45-68, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-44782013000200004

BORGES, A. Nacionalização Partidária e Estratégias Eleitorais no Presidencialismo de Coalizão. Dados, v. 58, n. 3, p. 651-688, 2015. http://dx.doi.org/10.1590/00115258201555

BORGES, A. Razões da Fragmentação: Coligações e Estratégias Partidárias na Presença de Eleições Majoritárias e Proporcionais Simultâneas. Dados, v. 62, n. 3, p. 1-37, 2019. http://dx.doi.org/10.1590/001152582019179

BORGES, T.; CARREIRÃO, Y. de S.; NASCIMENTO, F. Os partidos políticos brasileiros e a (in)consistência das coligações para Deputado Federal em 2014. In: KRAUSE, S.; MACHADO, C.; MIGUEL, L. F. (Org.). Coligações e disputas eleitorais na Nova República: aportes teórico-metodológicos, tendências e estudos de caso. Rio de Janeiro/São Paulo: Konrad-Adenauer Stiftung/Ed. UNESP, 2017. p. 203-230.

BRAGA, M. S. S. As organizações partidárias e a seleção de candidatos no estado de São Paulo. Opinião Pública, v. 14, n. 2, p. 454-485, 2008. https://doi.org/10.1590/S0104-62762008000200008

BRAGA, M. S. S. O processo eleitoral brasileiro: padrões de competição política (1982-2002). São Paulo: Associação Editorial Humanitas/FAPESP, 2006.

BRAGA, M. S. S.; AMARAL, O. E. do. Implicações do processo de seleção de candidatos na competição partidária: o caso brasileiro. Revista de Sociologia e Política, v. 21, n. 46, p. 33-43, 2013. https://doi.org/10.1590/S0104-44782013000200003

BRAGA, M. S. S.; VEIGA, L. F.; MIRÍADE, A. Recrutamento e perfil dos candidatos e dos eleitos à Câmara dos Deputados nas eleições de 2006. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 24, n. 70, p. 123-142, 2009. https://doi.org/10.1590/S0102-69092009000200008

CAMPOS, L. A.; MACHADO, C. A cor dos eleitos: determinantes da sub-representação política dos não brancos no Brasil. Revista Brasileira de Ciência Política, v. 16, p. 121-151, 2015. https://doi.org/10.1590/0103-335220151606

CARREIRÃO, Y. de S. O sistema partidário brasileiro: um debate com a literatura recente. Revista Brasileira de Ciência Política, v. 14, p. 255-295, 2014. https://doi.org/10.1590/0103-335220141410

CARREIRÃO, Y. de S.; NASCIMENTO, F. Coligações nas eleições para o Senado brasileiro. In: KRAUSE, S.; DANTAS, H.; MIGUEL, L. F. (Org.). Coligações partidárias na nova democracia brasileira. Rio de Janeiro/ São Paulo: Konrad Adenauer Stiftung/Ed. Unesp, 2010. p. 99-133.

CARVALHO, N. R. de. E no início eram as bases: geografia política do voto e comportamento legislativo no Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 2003.

DESPOSATO, S. Estratégia eleitoral com representação proporcional de lista aberta e distritos uninominais: subeleitorados e comunicação política. In: INÁCIO, M.; RENNÓ, L. (Org.). Legislativo brasileiro em perspectiva comparada. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2009. p. 269-291.

FIGUEIREDO, A.; LIMONGI, F. Executivo e legislativo na nova ordem constitucional. São Paulo: Editora FGV/ FAPESP, 1999.

FREITAS, A.; GUARNIERI, F. Neoinstitucionalismo na pós Constituição de 1988 e as duas visões sobre os partidos políticos no Brasil. In: HOLLANDA, C. B.; VEIGA, L.; AMARAL, O. (Org.). A Constituição de 88 trinta anos depois. Curitiba: Editora UFPR, 2018. p. 230-250.

GUARNIERI, F. A força dos partidos “fracos”. Dados, v. 54, n. 1, p. 235-258, 2011. https://doi.org/10.1590/S0011-52582011000100007

HUNTER, W. The Transformation of the Workers’ Party in Brazil (1989–2009). Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

KINZO, M. D. Funding parties and elections in Brazil. In: BURNELL, P.; WARE, A. (Org.). Funding democratization. New Brunswick/Londres: Transaction Publishers, 1998. p. 116-136.

KINZO, M. D. Os partidos no eleitorado: percepções públicas e laços partidários no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 20, n. 57, p. 65-81, 2005. https://doi.org/10.1590/S0102-69092005000100005

KINZO, M. D. Partidos, eleições e democracia no Brasil pós-1985. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 19, n. 54, p. 23-40, 2004. https://doi.org/10.1590/S0102-69092004000100002

KRAUSE, S.; GODÓI, P. P. Coligações eleitorais para os executivos estaduais (1986-2006). In: KRAUSE, S.;

DANTAS, H.; MIGUEL, L. F. (Org.). Coligações partidárias na nova democracia brasileira. Rio de Janeiro/ São Paulo: Konrad Adenauer Stiftung/Ed. UNESP, 2010. p. 41-98.

KRAUSE, S.; REBELLO, M. M.; SILVA, J. G. O perfil do financiamento dos partidos brasileiros (2006-2012):

o que as tipologias dizem. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 16, p. 247-272, 2015. http://dx.doi.org/10.1590/0103-335220151610

LACERDA, F. Evangelicals, Pentecostals and Political Representation In Brazilian Legislative Elections (1998-2010).

Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 32, n. 93, p. 1-23, 2017. https://doi.org/10.17666/329310/2017

LAMOUNIER, B. Estrutura Institucional e Governabilidade na década de 90. In: VELLOSO, J. P. R. (Org.). O Brasil e as Reformas Políticas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1992. p. 23-47.

LAVAREDA, A. Democracia das urnas: o processo partidário-eleitoral brasileiro. Rio de Janeiro: IUPERJ/Editora Revan, 1991.

LEINE, P. C. Partido Social Cristão: organização e distribuição do poder. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2019.

LIMA JR., O. B. Democracia e Instituições Políticas no Brasil dos anos 80. São Paulo: Edições Loyola, 1993.

LIMA JR., O. B. Partidos políticos brasileiros: a experiência federal e regional, 1945-1964. Rio de Janeiro: Graal, 1983.

LIMONGI, F.; ALMEIDA, M. H.; FREITAS, A. Da sociologia política ao (neo) institucionalismo: 30 anos que mudaram a ciência política no Brasil. In: AVRITZER, L.; MILANI, C.; BRAGA, M. S. (Org.). A ciência política no Brasil: 1960-2015. Rio de Janeiro: Editora FVG, 2016. p. 61-91.

LIMONGI, F.; CORTEZ, R. As eleições de 2010 e o quadro partidário. Novos Estudos CEBRAP, v. 88, p. 21-37, 2010. https://doi.org/10.1590/S0101-33002010000300002

LIMONGI, F.; GUARNIERI, F. Duverger nos trópicos: coordenação e estabilidade nas eleições presidenciais brasileiras pós-redemocratização. In: FIGUEIREDO, A.; BORBA, F. (Org.). 25 anos de eleições presidenciais no Brasil. Curitiba: Appris, 2018. p. 37-61.

MAINWARING, S. Políticos, partidos e sistemas eleitorais: o Brasil numa perspectiva comparada. Novos Estudos, v. 29, p. 34-58, 1991.

MAINWARING, S. Sistemas partidários em novas democracias: o caso do Brasil. Tradução de Vera Pereira. Rio de Janeiro/Porto Alegre: Mercado Aberto/Editora FGV, 2001.

MAINWARING, S.; POWER, T.; BIZARRO, F. The uneven institutionalization of party system: Brazil. In:

MAINWARING, S. (Org.). Party Systems in Latin America: institutionalization, decay and collapse. Cambridge: Cambridge University Press, 2018. p. 164-200.

MANCUSO, W. Investimento eleitoral no Brasil: balanço da literatura (2001–2012) e agenda de pesquisa. Revista de Sociologia e Política, v. 23, n. 54, p. 155-183, 2015. http://dx.doi.org/10.1590/1678-987315235409

MELO, C. R. Eleições presidenciais, jogos aninhados e sistema partidário no Brasil. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 4, p. 13-41, 2010.

MELO, C. R.; CÂMARA, R. Estrutura da competição pela Presidência e consolidação do sistema partidário no Brasil. Dados, v. 55, n. 1, p. 71-117, 2012. https://doi.org/10.1590/S0011-52582012000100003

MENEGUELLO, R. PT: a formação de um partido, 1979-1982. São Paulo: Paz e Terra, 1989.

MIGUEL, L. F.; BIROLI, F. Práticas de gênero e carreiras políticas: vertentes explicativas. Revista Estudos Feministas, v. 18, n. 3, p. 653-679, 2010. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2010000300003

NASCIMENTO, C. C. Igreja como partido: capacidade de coordenação eleitoral da Igreja Universal do Reino de Deus. Tese (Doutorado) – Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2017.

NICOLAU, J. Como Controlar o Representante? Considerações sobre as Eleições para a Câmara dos Deputados no Brasil. Dados, v. 45, n. 2, p. 219-236, 2002. https://doi.org/10.1590/S0011-52582002000200002

NICOLAU, J. Multipartidarismo e Democracia: Um Estudo sobre o Sistema Partidário Brasileiro (1985-94). Rio de Janeiro: Editora FVG, 1996.

NICOLAU, J. O sistema eleitoral de lista aberta no Brasil. Dados, v. 49, n. 4, p. 689-720, 2006. https://doi.org/10.1590/S0011-52582006000400002

NICOLAU, J. Partidos e sistemas partidários: 1985-2009. In: MARTINS, C. B.; LESSA, R. (Org.). Horizontes das Ciências Sociais no Brasil: Ciência Política. São Paulo: ANPOCS, 2010. p. 217-240.

NICOLAU, J. Partidos na República de 1946: velhas teses, novos dados. Dados, v. 47, n. 1, p. 85-129, 2004. https://doi.org/10.1590/S0011-52582004000100003

PANEBIANCO, A. Modelos de partido: organização e poder nos partidos políticos. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

PEIXOTO, V. M. Eleições e financiamento de campanhas no Brasil. Rio de Janeiro: Garamound, 2016.

RENNÓ, L. O dilema do rico: número de candidatos, identificação partidária e accountability nas eleições de 2002. In: SOARES,

G. A. D.; RENNÓ, L. R. (Org.). Reforma Política: lições da história recente, Rio de Janeiro: FGV Editora, 2006. p. 47-70.

RIBEIRO, P. F. Dos sindicatos ao governo: a organização nacional do PT de 1980 a 2005. São Carlos: EdUFSCar, 2010.

RIBEIRO, P. F. El modelo de partido cartel y el sistema de partidos de Brasil. Revista de Ciência Política, Santiago, v. 33, n. 3, p. 607-629, 2013. http://dx.doi.org/10.4067/S0718-090X2013000300002

SAMUELS, D. Ambition, federalism, and legislative politics in Brazil. Cambridge: Cambridge University Press, 2003a.

SAMUELS, D. Financiamento de campanhas e eleições no Brasil: o que podemos aprender com o “caixa um” e as propostas de reforma. In: BENEVIDES, M. V.; VANUCCI, P.; KERCHE, P. Reforma Política e Cidadania no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2003b. p. 388-391.

SAMUELS, D. Incentives to Cultivate a Party Vote in a Candidate-Centric Electoral System. Comparative Political Studies, v. 32, n. 4, p. 487-518, 1999. https://doi.org/10.1177%2F0010414099032004004

SAMUELS, D. Money, Elections, and Democracy in Brazil. Latin American Politics & Society, v. 43, n. 2, p. 27-48, 2001. https://doi.org/10.1111/j.1548-2456.2001.tb00398.

SANTOS, W. G. A difusão parlamentar do sistema partidário: exposição do caso brasileiro. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2018.

SANTOS, W. G. O cálculo do conflito: estabilidade e a crise política na política brasileira. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Editora UFMG/IUPERJ, 2003.

SARTORI, G. Partidos e sistemas partidários. Brasília: Editora UnB, 1982.

SCHMITT, R. Os estudos sobre alianças e coligações eleitorais na Ciência Política brasileira. In: KRAUSE, S.;

SCHMITT, R. (Org.). Partidos e coligações eleitorais no Brasil. São Paulo: Editora UNESP, 2006. p. 11-26.

SILVA, G. P.; SILOTTO, G. Preparing the Terrain: Conditioning Factors for the Regionalization of the Vote for Federal Deputy in São Paulo. Brazilian Political Science Review, v. 12, n. 2, p. e0006, 2018. http://dx.doi.org/10.1590/1981-3821201800020006

SOARES, G. A. D. A democracia interrompida. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001.

SOUZA, M. C. C. Estado e partidos políticos no Brasil (1930 a 1964). São Paulo: Alfa-Ômega, 1990.

TAROUCO, G. Institucionalização partidária no Brasil (1982-2006). Revista Brasileira de Ciência Política, n. 4, p. 169-186, 2010.

VIEIRA, O. V. A batalha dos poderes: da transição democrática ao mal-estar constitucional. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

Downloads

Publicado

2021-01-05

Como Citar

Borges, T. D. P. (2021). Representação política e eleições no Brasil: percursos, entraves e perspectivas na produção recente. BIB - Revista Brasileira De Informação Bibliográfica Em Ciências Sociais, (94). Recuperado de https://bibanpocs.emnuvens.com.br/revista/article/view/523

Edição

Seção

Balanços Bibliográficos